Wednesday, November 30, 2011

Espécie invasora: Pitons de até 6 m engolem de tudo nos EUA: veado, onça e até crocodilo, Veja fotos!


Pitons de até 6 m engolem de tudo nos EUA: veado, onça e até crocodilo, Veja fotos!PDFImprimirE-mail
24 DE JULHO DE 2007
python_1Skip Snow, um biólogo que trabalha para o governo federal dos Estados Unidos no parque nacional de Everglades, adoraria dedicar seus dias ao estudo da variedade estonteante de fauna nativa nesse "rio de grama" de 600 mil hectares localizado a oeste da metrópole de Miami, que nunca pára de crescer. Mas nos últimos tempos ele tem dedicado mais tempo ao estudo de restos de animais e mamíferos do parque, extraídos dos estômagos de jibóias birmanesas atropeladas ou capturadas no Estado.
As cobras asiáticas representam a mais recente, e espetacular, expansão na lista de espécies alienígenas que vêm invadindo a biologia da Flórida. Abrindo um refrigerador em um dos laboratórios do parque, Snow exibiu sacos plásticos rotulados por tipo e data, cada qual contendo pêlos, penas, ossos e outros restos de animais que recentemente foram consumidos pelas jibóias.
python_8"Nós encontramos de tudo, de mamíferos de pequeno porte a uma onça, e recentemente os cascos de um cervo", disse Snow. "Havia pássaros ribeirinhos e aquáticos, aves de outros tipos e pelo menos um grande crocodilo".
As jibóias do sul da Ásia, que podem atingir os 6 m de comprimento e aos 100 kg de peso, chegaram ao parque como resultado do crescente comércio internacional de animais exóticos. Jibóias de um ano são produto popular em feiras de répteis e na Internet, onde são vendidas por cerca de US$ 70, mas alguns anos mais tarde elas crescem o suficiente para devorar gatos ou ocupar metade de uma sala, o que leva alguns proprietários a abandoná-las à beira de estradas. Isso talvez não represente problema ecológico em Detroit, diz Snow, mas em um parque da Flórida, região quase tropical, a situação é um pesadelo.
Algumas estimativas grosseiras estimam a população de jibóias de estimação no Estado em mais de cinco mil. De 2002 para cá, mais de 350 cobras do tipo foram encontradas no parque, e outras surgiram nos mangues ao longo da costa oeste da Flórida e em regiões mais setentrionais do Estado. O número de exemplares localizado cresce em cerca de 10 por ano, segundo Snow.
python_4Em maio de 2006, os biólogos confirmaram que as jibóias dos Everglades não representavam uma curiosidade passageira, ao localizarem os primeiros ovos da espécie. "Havia 46 ovos, 44 dos quais férteis", disse Snow. Pouco mais tarde, eles descobriram mais duas dúzias de ovos, já chocados. Há muitos sinais, segundo ele, de que as jibóias continuam a colonizar novos territórios. "Trata-se de uma espécie realmente feita para invadir".
Snow e outros biólogos especialistas em fauna estão envolvidos em uma espécie de cruzada, nos últimos meses, pressionando o governo federal e o estadual a reprimir o comércio de espécies exóticas, acelerar suas respostas à presença de invasores em regiões selvagens e expandir o sistema federal de prevenção a fim de identificar com antecedência os animais e plantas importados que têm mais chance de se difundir no país.
Embora exista um Conselho Nacional de Espécies Invasivas cujos membros incluem ministros, o trabalho básico de filtragem preventiva de espécies cabe a alguns poucos biólogos no Serviço de Fauna e Pesca, no Departamento da Agricultura e no Departamento de Saúde e Serviços Humanos. A vasta maioria do US$ 1 bilhão que o governo dedica a espécies invasivas a cada ano se destina à administração de problemas existentes, e apenas 10%, de acordo com um relatório recente do governo, são destinados à prevenção. O governo mesmo estima que espécies invasivas custem US$ 100 bilhões anuais à economia do país.
python_9A jibóia pode se tornar uma espécie de símbolo público das espécies invasoras, disse Snow, mas não está sozinha em termos de potencial de perturbação a ecossistemas, pessoas e atividades econômicas, quando estabelecida. Além de centenas de espécies importadas por acidente, há inumeráveis plantas e animais importados propositadamente que se tornaram complexos e dispendiosos problemas. E quando esses problemas se tornam perceptíveis, quase sempre é tarde demais, ou caro demais, erradicá-los, dizem os especialistas.
Ainda assim, essas espécies só tendem a se tornar prioridade depois que se estabeleceram, eles afirmam. Foi só este ano que uma nova lei da Flórida estabeleceu que seis répteis, entre os quais a jibóia eram "causa de preocupação". O Estado em breve passará a exigir que os proprietários paguem US$ 100 ao ano para licenciar esses animais, e que instalem microchips de identificação nos bichos que adquiram.
David Lodge, diretor do Centro de Conservação Aquática da Universidade Notre Dame, conduziu diversos estudos sobre a questão, entre os quais uma pesquisa para a Sociedade Ecológica Norte-Americana, no ano passado, na qual ele pedia por mais investimento e mais ação do governo federal. "Quando se trata de importar organismos vivos, nossas normas são inteiramente reativas", ele afirmou. "É como se, no mercado de alimentos ou remédios, a importação de qualquer produto fosse intrinsecamente autorizada até que ele mate alguém, e só então estudaríamos regulamentos que o proíbam".
Com as espécies invasoras, porém, a situação na verdade é potencialmente pior, porque proibi-las a posteriori não elimina a ameaça. Como diz Snow, "espécies invasoras continuam a se expandir, devido ao imperativo biológico da reprodução".
python_5Snow, além de caçar as jibóias que localiza e pressionar por mais verbas preventivas, também difunde suas idéias junto à população. Ele costuma fazer apresentações a grupos comunitários sobre as jibóias, e não economiza detalhes, narrando como elas matam animais de estimação ¿e seus proprietários.
Um dos slides que ele usa diz: "Você quer mesmo ter em casa uma cobra que pode superar os 6 m de comprimento e os 100 kg de peso, urina e defeca como um cavalo, vive mais de 25 anos e para a qual você terá de matar ratos, camundongos e, um dia, coelhos?" -- Por: Andrew C. Revkin, para The New York Times / Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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