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Tuesday, October 26, 2010

Capivara pode ser boa alternativa econômica para o produtor

A conservação da biodiversidade nativa no Bioma Pampa depende, além das ações de preservação e estabelecimento de áreas de proteção, também do fomento à criação racional e sustentável dos animais silvestres com potencial de aproveitamento econômico. A criação de capivaras tem despertado o interesse dos produtores, tanto pelo elevado preço de venda dos animais, quanto pelo seu potencial produtivo. A criação contribui para a conservação das populações naturais, por desestimular a caça clandestina, oferecendo uma alternativa.

A capivara é o maior roedor vivo, atingindo 105 kg, e não se encontra ameaçada de extinção. A Venezuela abate em média 27.000 capivaras / ano, desde a década de 70, comercializando a carne na forma de charque, por meio de manejo extensivo. Na Argentina, são exportados em torno de 10.000 couros / ano (98% dos couros vão para o mercado interno), através de caça ilegal e legalizada (na Província de Corrientes).

O Brasil se caracteriza por estimular a implantação de criadouros, sendo a capivara o animal silvestre nativo mais criado no país. Sua prolificidade, plasticidade alimentar, aproveitamento de fibra (celulose) e amido, boa taxa de ganho de peso, rusticidade e tamanho de cortes adequados ao mercado, somados ao elevado preço do kg vivo, permite equipará-la com a criação tradicional de ovinos. O potencial para o uso em pecuária orgânica é evidente, por ser um animal pastador por natureza. Hoje a capivara é cotada em até R$ 6,00 / kg de peso vivo e a carne chega a R$ 44,00 / kg. No entanto, não se pode compará-la em produtividade aos suínos, que apresentam o quádruplo do crescimento ponderal e maior prolificidade, com o detalhe de que a capivara ainda não foi submetida ao melhoramento genético.

Capivaras têm uma vasta e antiga tradição como animal de caça no Rio Grande do Sul, ainda que de forma ilegal. No entanto, sabe-se que a carne proveniente desses animais, na sua maioria, apresenta problemas de sabor e aroma o que a torna repudiada por grande parte das pessoas. Por outro lado, capivaras de criação, sob regime alimentar com grãos/ração e forragem cultivada, mesmo adultas, de ambos os sexos, apresentam sabor e aroma excelentes. Não seria exagero dizer que se encontra entre as melhores carnes que temos. Além disso, a carne de capivara apresenta características qualitativas em harmonia com as novas demandas dos consumidores, tais como baixa quantidade de gordura intramuscular, baixa quantidade de gorduras saturadas, elevada quantidade de gorduras poliinsaturadas e relação mais adequada entre as gorduras do tipo ω6 e ω3, quando comparada a carnes vermelhas tradicionais.

O óleo de capivaras apresenta excepcional quantidade de ácido α-linolênico, um dos ácidos graxos ômega-3 essenciais para o organismo. Ou seja, não são sintetizados pelo corpo, devendo ser providos pela alimentação, estando envolvidos em funções como regulação da pressão arterial, redução de processos inflamatórios e do colesterol/LDL. O couro de capivaras é bastante valorizado, chegando a US$ 16,00 / unidade o in natura e US$ 50,00 o curtido (na Argentina), tendo ampla utilização na produção de artefatos sofisticados e na linha crioula. A Itália é um dos maiores importadores.

Existem basicamente três sistemas para criação de capivaras. O intensivo, realizado em pequenos piquetes de 400m2; o semi-intensivo, geralmente em áreas de até 7 ha; e o extensivo, em áreas cercadas de até 15 ha, onde os animais são criados soltos, podendo ser com ou sem desmame. Estudo da Embrapa Clima Temperado, conduzido como parte do projeto Conservação de recursos genéticos de animais nativos com potencial econômico, integrante do Macroprograma 1 – Grandes Desafios Nacionais, na atividade Coleta de tecido, caracterização produtiva e documentação de capivaras (Núcleo de Conservação), concluiu sobre a viabilidade técnico-econômica da criação de capivaras no sistema semi-intensivo, tendo como base o ano de 2006.

Na avaliação financeira, considerou-se um período de sete anos, a existência de mão-de-obra na propriedade e rebanho inicial recebido por doação, distribuído em dois lotes com 14 fêmeas e dois machos em cada, alojados em piquetes telados de 0,5 ha. Um piquete de 0,5 ha destinou-se a animais para o abate, havendo apenas uma mangueira e um corredor central por onde todos os animais são manejados. A alimentação foi baseada em milho/resíduo de beneficiamento de arroz e forragens cultivadas. O número de partos/fêmea/ano foi estimado em 1,5 (com 4 crias/parto), a mortalidade até o desmame em 10% e o abate aos 14 meses com 37,5 kg.

O investimento inicial em estruturas foi de R$ 15.960,21; o custo total por ano foi de R$ 10.306,16; a renda bruta total foi de R$ 18.731,25, com renda líquida total / ano de R$ 8.425,09, considerando-se a venda de animais vivos por R$ 3,70 o kg. A cada real investido, o produtor tem retorno de 1,81 (índice de rentabilidade). A relação benefício-custo foi satisfatória (1,40) e a taxa interna de retorno (45%) indica que o negócio é viável, cobrindo as taxas de juro do mercado, demonstrando viabilidade econômica para a atividade, podendo ser comparável à criação tradicional de ovinos. Constitui-se em uma alternativa tanto para estâncias, quanto para pequenas propriedades no Bioma Pampa. Assim como em ovinos, para um aumento da margem de lucro, propõe-se um aumento da escala de produção com a ampliação do rebanho e piquetes para um total de seis.

Para efetivar uma criação, o produtor deverá seguir a legislação do Ibama (Portarias 117 e 118/97), disponível no site http://www.ibama.gov.br/fauna-silvestre/legislacao/ e também a Instrução Normativa 169/08 (http://ibama2.ibama.gov.br/cnia2/renima/cnia/lema/lema_texto/IBAMA/IN0169-200208.PDF). Pode-se também consultar o Núcleo de Fauna do Ibama em Porto Alegre (051 32264871) para informações gerais e verificar também se há capivaras apreendidas, disponíveis nos núcleos de reabilitação de animais silvestres, ou em instituições científicas, que possam ser doadas para início de criação, ou mesmo, eventualmente, ver se há possibilidade de capturar capivaras que estejam causando danos, conforme consta na legislação. Basicamente, deve-se ter um técnico de nível superior, das ciências agrárias ou biológicas, para elaborar o projeto a ser encaminhado ao Ibama, tramitando pelo Sisfauna no site do Ibama em serviços on line.

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Newsletter.asp?data=26/10/2010&id=22967&secao=Artigos+Especiais

Friday, September 24, 2010

Cardápio de carnes de caça faz sucesso no Brasil

Terra Madre comemora 5 anos com festival de carnes de caça

[21-09-2010]
Em sentido horário: Henrique Fogaça, Paulinho Martins e Guilherme Melo
foto: divulgação


Fonte: http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?op=gastronomia&id=22339

Para comemorar seus cinco anos de atividade, completados em outubro, o restaurante Terra Madre promove um evento que mistura o talento de novos chefs, vanguarda gastronômica e sabores exóticos. De 5 a 20 do próximo mês, realiza o Festival de Carnes de Caça Terra Madre – 5 Anos, 5 Chefs. Em parceria com a Cerrado Carnes de Caça, o evento começará com um jantar composto por menu degustação, no dia 5.

Quatro nomes revelados pelas novas safras da gastronomia contemporânea brasileira foram convidados para participar, ao lado do chef da casa, Ivan Lopes. São eles: Guilherme Melo, do Restaurante Hermengarda (de Belo Horizonte), Henrique Fogaça, do Sal Gastronomia (São Paulo), Ricardo Ferracini, do Gatto Rosso (Rio de Janeiro), e Paulinho Martins, chef consultor natural de Ilhéus (Bahia). Eles montarão o menu e vão estar presentes, dividindo a cozinha do Terra Madre, no jantar do dia 5.

Após esta abertura, durante as duas semanas seguintes os quatro pratos principais da degustação ficarão disponíveis, compondo um menu comemorativo. Ao término deste período, o prato que for mais pedido pelo público será integrando definitivamente ao cardápio do Terra Madre. “Desse modo, convidamos o público a participar do aniversário do restaurante, escolhendo um novo prato”, conta Raphael Zanette, um dos sócios. “O Terra Madre foi criado com o objetivo de trazer inovações gastronômicas para a cidade. Ao completar cinco anos, continuamos nessa busca. Por isso agora trazemos um evento voltado para as carnes de caça na gastronomia contemporânea, inédito em Curitiba. É uma tendência relativamente nova também em âmbito nacional”.

Os chefs convidados têm intimidade com as carnes de caça. Vão fazer parte do cardápio cortes de javali, cateto, capivara, queixada e paca. Todos eles serão fornecidos pela Cerrado Carnes de Caça, empresa fundada há cinco anos, com base em São Paulo, e que há dois vem investindo numa aproximação com a alta gastronomia contemporânea. Os produtos são certificados pelo IBAMA e produzidos sob rigoroso controle de qualidade, a partir de animais criados em diferentes regiões do país, principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

“A aceitação esta sendo muito melhor do que esperada e a demanda cresce bastante”, conta Gonzalo Barquero, criador da Cerrado. “É comum o pensamento de que as carnes de caça são fortes e só para homens. Isto não é verdade. Bem trabalhadas, elas oferecem sabores elegantes e cada vez mais vêm conquistando o paladar de um público imenso.” Barquero conta que atualmente a empresa fornece carnes para um grande número de chefs de renome do Brasil e de restaurantes conceituados. “Este tipo de evento ajuda a derrubar o preconceito com estas carnes exóticas, uma vez que as pessoas vão conhecer as carnes trabalhadas por bons chefs.”

O crescimento do consumo de carnes de caça legalizadas também é uma ferramenta de conservação das espécies, já que ocupa espaço e combate a ação do tráfico ilegal.

CONHEÇA MAIS SOBRE OS CHEFS CONVIDADOS:

Guilherme Melo - Belo Horizonte (MG)


O chef é fundador do restaurante Hermengarda, já premiado entre os melhores da cidade por publicações como a Revista Veja. Pela mesma revista, Guilherme foi indicado como Chef Revelação de 2009. O restaurante já acumula outros prêmios, entre os quais se destaca o de Novidade do Ano de 2009, no Brasil, segundo o Guia Quatro Rodas. Está entre os dez restaurantes contemplados com uma estrela do Guia Quatro Rodas nos anos de 2009 e 2010. Em seu trabalho, Melo mistura ingredientes brasileiros, incluídas aí as carnes de caça, com toques contemporâneos.

Henrique Fogaça – São Paulo (SP)


Criador do restaurante Sal Gastronomia, foi eleito Chef Revelação por duas publicações: Revista Veja, em 2008, e Revista Prazeres da Mesa em 2009. Queixada e javali estão entre as carnes que trabalha com maestria. Sua cozinha alia técnicas rústicas a métodos ultramodernos, tudo na base da intuição. Formado como chefe de cozinha no Rio, começou vendendo sanduíches gourmet num trailer e jantares sob encomenda. Passou pelo extinto restaurante Namesa e tempos depois criou sua própria casa.

Paulinho Martins – Ilhéus (BA)


Chef consultor, já trabalhou em restaurantes como o Amado e também desenvolveu o cardápio e atuou no badalado Txai Resort, em Itacaré (BA). Ministrou aulas de carnes de caça no festival Bahia Gourmet 2009, entre outros eventos. Foi convidado para apresentar a aula sobre caças brasileiras no evento Paladar do Brasil, em São Paulo. Formado em Direito, encontrou sua verdadeira vocação na cozinha. Passou um ano na França, onde adquiriu bagagem gastronômica. Pupilo do chef Edinho Engel, passou pelo restaurante Manacá. É um pesquisador de produtos do sul da Bahia e mistura a gastronomia nordestina com a francesa.

Ricardo Ferracini – Rio de Janeiro (RJ)


Atualmente é chef proprietário do Gatto Rosso - Gastro Lounge. A casa é fruto de suas viagens pelo mundo. Formando em administração de empresas, trocou esta profissão pelas panelas. Estudou na Suíça - DCT International Cooking & Hotel School - e depois caiu na estrada pelo mundo, buscando novos sabores em países como Jordânia, Hong Kong, Bali e Malásia. Atuou na Europa e encontrou na Itália sua grande pátria gastronômica. De volta ao Brasil, passou pelo grupo Fasano (Fasano Al Mare, no Rio) antes de abrir seu próprio empreendimento. Organizou recentemente um festival de caças em seu próprio restaurante.

MENU

Entradas:

Costelinha de porco com chutney de morang, pimenta dedo de moça e brotos de salsão (Chef Henrique)

Cogumelos de Paris recheados com linguiça semi-defumada (Chef Guilherme)

Pratos Principais:

Queixada em baixa temperatura ao molho de jabuticaba e mandioca gratinada (Chef Guilherme)

Ragú de javali com nhoque de mandioquinha e broto de beterraba (Chef Henrique)

Cateto na panela com polenta mole e chips de quiabo (Chef Paulinho)

Capivara al Forno: Paleta de Capivara em seu próprio molho do assado; farofinha de cebola caramelada, pupunha na manteiga, brócolis ao alho e óleo. (Chef Ricardo)

Sobremesas:

Sable de chocolate AMMA, cupuaçú e cacau torrado (Chef Paulinho)

Millefoglia Al Café (Mil folhas de doce de leite e mousse de café) – Chef Paulinho)

SERVIÇO:

FESTIVAL DE CARNES DE CAÇA TERRA MADRE – 5 CHEFS, 5 ANOS

LOCAL: TERRA MADRE RISTORANTE
ENDEREÇO: Rua Desembargador Otávio do Amaral, 515 - Bigorrilho, Curitiba, Paraná.
DATA: de 5 a 20 de outubro
HORÁRIO: a partir das 20h30
PREÇO POR PESSOA: R$ 120,00
INFORMAÇÕES E RESERVAS: (41) 3335-6070