Sunday, March 13, 2011

O etanol rumo a 2020

O etanol rumo a 2020

Maurilio Biagi Filho maubisa@maubisa.com.br
Postado em 09 de Agosto de 2010 às 09:08 na categoria Artigo

O final da primeira década do ano 2000 prenuncia uma nova era repleta de desafios para os empresários brasileiros que permanecerem na agroindústria canavieira, o segmento da economia nacional mais impactado pelas disputas globais por combustíveis renováveis.

Em nenhum momento da História do Brasil a produção de cana e derivados apresentou números tão superlativos como agora: mais de 8 milhões de hectares cultivados, dois milhões de empregos diretos, produção de 35 milhões de toneladas de açúcar e de quase 30 bilhões de litros de etanol, além de uma contribuição que se aproxima dos 10 bilhões de dólares para a balança comercial brasileira – tudo isso sem contar a economia resultante da não importação de 400 mil barris/dia de derivados de petróleo substituídos pelo etanol.
A mais antiga lavoura brasileira, cuja implantação se confunde com o nascimento do país, já deixou para trás, sucessivamente, as eras dos senhores de engenho do Nordeste, dos barões do açúcar do Sudeste e dos usineiros ou coronéis da cana estabelecidos em latifúndios familiares no interior.

A modernização do setor deu um salto na década de 1970, quando o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) propiciou a implantação de dezenas de destilarias autônomas por empresários rurais que abriram terras de pastagens para o cultivo da cana. Num segundo momento, nos anos 80 e 90, esses pioneiros passaram a produzir açúcar também. Até que, a partir de 2000, inaugurando a fase dos IPOs (sigla em inglês de Oferta Pública Inicial—de ações), os grupos Cosan, Guarani e São Martinho abriram seu capital.

Logo em seguida algumas das maiores tradings agrícolas do mundo ocidental associaram-se a grupos brasileiros produtores de açúcar e álcool. Só para lembrar os lances mais conhecidos: Cargill-CEVASA, ADM-Cabrera, Bunge-Santa Juliana e Dreyfus-Tavares de Melo. Outros estão a caminho.

SOB A LUZ DE KYOTO
Agora, em plena vigência do Protocolo de Kyoto, que desde 2005 estabeleceu metas para a despoluição atmosférica, a agroindústia canavieira do Brasil recebe investimentos de algumas das principais companhias petrolíferas do mundo. É o etanol entrando na era do Big Oil. Para atender às demandas oriundas da nova ordem ambiental no planeta, a Petrobras, a British Petroleum, a Shell e outras petroleiras apostam em energias renováveis e, especialmente, em tecnologias que possibilitem a captura do CO2.
Com isso, não só atendem ao mercado como prolongam a existência de suas reservas de petróleo, cada vez mais escassas ao redor do mundo. É um contexto absolutamente novo, promissor e arriscado para os produtores brasileiros de etanol, que carregam na alma – e no bolso—as marcas da descontinuidade das políticas públicas no campo dos combustíveis.

Mesmo alternando bons e maus momentos, o mercado de etanol está consolidado graças sobretudo ao pioneirismo de grandes empreendedores, que vislumbraram no álcool de cana uma alternativa à dependência do petróleo. O Brasil produzia 500 milhões de litros de álcool por ano quando um grupo de líderes da agroindústria canavieira apresentou ao Presidente Geisel, em 1974, o estudo “Fotossíntese como Fonte Energética”. Ele acenava com uma saída agrícola para a crise do petróleo.

Foi o estopim do Proálcool, o primeiro programa mundial para a produção de um combustível renovável. Graças a ele, o Brasil se tornou uma referência internacional, destacando-se os pólos industriais de Piracicaba e Sertãozinho, no interior paulista. Dezenas de acordos tecnológicos com parceiros nacionais e estrangeiros promoveram uma notável evolução nos processos de produção de álcool e açúcar. Também nos canaviais houve um avanço extraordinário. Nos últimos 35 anos, a produtividade global (agrícola+industrial) da canavicultura brasileira cresceu mais de 3% ao ano, em média.

Ao êxito agroindustrial correspondeu uma vitória comercial e logística sem precedentes na história da civilização do petróleo. Em 1989, pela primeira vez no mercado brasileiro, o consumo de álcool ultrapassou o de gasolina. Em cada um dos 20 mil postos de abastecimento então existentes no país, os comerciantes de combustíveis instalaram pelo menos uma bomba de etanol, numa rara demonstração de confiança no futuro. Naquele mesmo ano, nossa indústria automobilística equipava mais de 98% dos veículos produzidos com motores a álcool. “Carro a álcool: você ainda vai ter um”, dizia um anúncio da época.

Tamanho fortalecimento do etanol como combustível somado à adesão da indústria automobilística passou a contrariar os interesses do setor de combustíveis fósseis. Embora o governo tivesse órgãos para ordenar tanto a produção (Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA) quanto o abastecimento (Conselho Nacional de Petróleo e Departamento Nacional de Combustíveis), um descontrole nos estoques fez faltar álcool no mercado, comprometendo seriamente a imagem do produto. A crise daí decorrente durou mais de 10 anos, encerrando-se formalmente em 2003, quando a indústria automobilística do Brasil lançou o primeiro carro flex fuel, com motor a gasolina, mas adaptado para a combustão do etanol.

A REASCENSÃO DO ÁLCOOL
Atualmente, quase vinte anos depois do apagão do Proálcool, 93% dos carros brasileiros saem das fábricas com motores flex fuel e, outra vez, o consumo de gasolina foi superado pelo de etanol, hoje comercializado em quase 40 mil postos espalhados pelo país. O grande crescimento da demanda por etanol no Brasil e no mundo se refletiu em novos projetos de produção especialmente em São Paulo, Minas e Goiás. Somente nesta safra, segundo a União da Indústria Canavieira (UNICA), estão entrando em operação 22 novas destilarias.

As usinas brasileiras quebraram pela primeira vez a barreira da produção de 100 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na década de 1970. Em 2002 o recorde já estava em 292 milhões de toneladas e, em 2009, processaremos 614 milhões de toneladas de cana, que se transformarão em quase 30 bilhões de litros de etanol e 35 milhões de toneladas de açúcar. É uma expansão que só encontra dois paralelos na história da agricultura brasileira: o boom da soja a partir dos anos 1970 e o avanço da cafeicultura no interior paulista na segunda metade do século XIX.

Embora o açúcar venha crescendo junto com o etanol, foi a necessidade de fabricar volumes crescentes do combustível renovável que turbinou a agroindústria verde-amarela, a ponto de despertar o interesse de capitais estrangeiros.

No início desta década, a participação de capital externo no setor sucro-alcooleiro do Brasil era de menos de 1%. Atualmente, sem contar os investimentos nas três companhias que possuem capital aberto — os grupos Cosan, São Martinho e Guarani --, mais de 20 conglomerados internacionais comandam ou fazem parte da direção de usinas brasileiras. Ainda que a fatia estrangeira não tenha passado de 20% dos ativos, acredita-se que as empresas de fora participam, de alguma forma, da decisão empresarial sobre cerca de 30% da cana processada atualmente. Esses dados conferem ao etanol o status de grande opção de negócio global, no momento em que os principais países do mundo buscam alternativas para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

A tendência para os próximos anos é de aumento dessa participação externa, principalmente pelo fato de diversos projetos greenfields, com participação estrangeira, estarem em fase de construção. A British Petroleum, que tem investido em projetos greenfields nos Estados Unidos, a partir de parcerias com empresas produtoras de etanol, comprou participação na Usina Tropical, em Edéia, no estado de Goiás, para a produção de açúcar, etanol de primeira geração e biodiesel, a partir da moagem anual de 2,3 milhões de toneladas de cana.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO ETANOL
A era da internacionalização do etanol configura-se não apenas pelos investimentos das grandes empresas petrolíferas, mas pelos projetos para o desenvolvimento de tecnologias para a produção do etanol de segunda geração ou etanol celulósico. A produção de etanol a partir do bagaço da cana-de-açúcar, do sabugo do milho, de capim, casca de árvore, pneus e até de lixo urbano, consiste em usar enzimas, micro-organismos ou ácidos para separar os açúcares existentes na biomassa e, a partir daí, produzir combustível. Embora o potencial de produção seja elevado, ainda há dúvidas quanto ao custo final desse biocombustível de segunda geração.

O cenário internacional francamente positivo para o etanol coloca o setor sucro-alcooleiro numa posição estratégica, apesar do baixo preço do produto no momento, consequência da crise financeira vivida pelos mercados. Momentaneamente fragilizados, pois muitos tiveram de vender abaixo dos custos de produção, os produtores brasileiros de etanol devem estar atentos às oportunidades que se apresentam nesse momento de transição. É preciso aproveitar as experiências acumuladas no passado e a posição de vanguarda na produção de derivados de cana, estabelecendo parcerias vantajosas para desenvolver tecnologias de produção de etanol de segunda geração.

A anunciada entrada da Petrobras no setor, como sócia minoritária de usinas e destilarias, representa um marco na história da agroindústria mais antiga da economia brasileira. Disposta a se tornar um dos cinco maiores players mundiais do setor de combustíveis, a empresa descortina a possibilidade de produzir a primeira gasolina verde do mundo, com investimentos na ordem de 2,8 bilhões de dólares em projetos na área de biocombustíveis. A estatal brasileira de petróleo já se associou à Usina de Açúcar e Álcool Itarumã, no estado de Goiás.

A visão da Petrobras, da qual compartilho, é que o consumo do etanol crescerá no mercado internacional não tanto como combustível isolado, mas como aditivo — oxidante da gasolina. Nos próximos anos diversos governos tendem a exigir o aumento dos percentuais de misturas de etanol nos combustíveis fósseis, visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas grandes cidades e, ainda, tornar a gasolina mais barata para os consumidores. Na última década, de acordo com a Petrobras, as vendas de etanol em todo o mundo cresceram dez vezes. Em 2020, segundo o presidente Sergio Gabrielli, o etanol responderá por 75% do consumo de combustíveis automotivos no mercado brasileiro.

UM GRANDE MERCADO FUTURO
Está configurado assim um grande mercado futuro. O etanol ainda não foi transformado numa commodity, mas tende a ser. O setor, se souber organizar eficientemente a comercialização, a logística do abastecimento doméstico e o esforço exportador, dispensando o amadorismo e a improvisação, pode superar suas dificuldades e dar os passos que faltam para tirar vantagem das mudanças em andamento no mercado mundial de combustíveis renováveis. O espírito da coisa foi resumido pela frase feliz de Adhemar Altieri no II Ethanol Summit, em junho de 2009, em São Paulo: “Temos que ir além da história de que colocar álcool no carro é mais barato”, disse ele.

É fundamental que o setor sucro-alcooleiro alcance a maturidade empresarial, o que significa perseguir menos os recordes de produção e mais a melhora dos índices de rentabilidade e a organização da oferta. Tutelada pelo governo durante várias décadas, a indústria canavieira ainda não aprendeu a vender em 12 meses o que produz em oito. Um simples desequilíbrio entre a oferta e a demanda, reforçado pela retração do crédito bancário, gerou uma profunda crise de liquidez a partir do terceiro trimestre de 2008.

Mesmo passando por momentos de sufoco, o setor acumulou experiência suficiente para saber que a transformação de biomassa em carburante é uma alavanca econômica polivalente que, além de gerar renda, cria empregos no campo e na cidade. A cana é auto-suficiente energeticamente, pois além de produzir toda a energia do processo produtivo, também gera um excedente que pode ser vendido para as companhias de eletricidade. Atualmente são mais de 8 mil MW de potência instalada nas usinas de cana. Para 2020, prevê-se que a geração de energia a partir da queima do bagaço e da palha será de 28 mil MW, o dobro da capacidade da hidrelétrica de Itaipu.

Os brasileiros construíram um modelo energético único na economia mundial. Temos a matriz energética mais limpa do mundo, com praticamente 50% de fontes renováveis, das quais 31,5% são provenientes de biomassa, seja ela florestal ou agrícola. A cana-de-açúcar já responde por nada menos que 16% da energia gerada no país.

Entretando, se quisermos vender a solução verde-amarela no mercado internacional, precisamos construir parcerias empresariais e fazer acordos com outros países. É um jogo que exige paciência e perseverança, pois os mercados de alimentos e de biocombustíveis estão sujeitos a grandes distorções em consequência do protecionismo dos países do hemisfério norte.

Quase todos os países do mundo querem produzir seu próprio biocombustível, tornando-se menos dependentes dos combustíveis fósseis. Aqueles que tiverem terras disponíveis e clima favorável não hesitarão em produzir etanol ou outro aditivo para a gasolina e o óleo diesel. Nesse sentido, o Brasil não deve buscar apenas vender bilhões de litros de álcool, mas também pacotes de engenharia, equipamentos e tecnologia agrícola.

Cabe aos empresários brasileiros aproveitar a oferta de financiamentos pelo Banco Mundial e outros órgãos das Nações Unidas como a FAO para ajudar na estruturação de setores produtivos de etanol na América Latina, na África e em outros continentes. Em nenhum lugar o modelo brasileiro de cultivo de cana encontra campo mais propício do que no continente africano, onde já operam diversas empresas brasileiras. Ali se pode destacar a função sócio-econômica da produção de açúcar e álcool, como meio de redistribuição de riqueza.

O PETRÓLEO NÃO É INIMIGO
Está provado que o etanol é um eficiente instrumento de mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Para que se organize um mercado global para o etanol regulamentado, falta definir quem vai fazer o quê e como. É preciso ter ações coordenadas e planejadas entre todos os setores produtores de etanol do mundo. Independentemente de quais sejam as fontes (cana, milho, beterraba, etc), a agroenergia tem condições de assumir um papel de destaque nas negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) e em outros foros internacionais.

Nesse contexto, não faz sentido criticar os produtores de etanol de milho nos EUA. Mesmo que o milho seja inferior à cana como matéria-prima energética, já é hora de encarar os usineiros norte-americanos como parceiros de alianças estratégicas que muito nos fortalecerão. Da mesma forma, não devemos ver o petróleo como um concorrente a ser vencido ou um inimigo a ser liquidado. O petróleo é o mais importante veículo de desenvolvimento para a indústria do etanol.

Independentemente do preço do petróleo, o etanol já é aceito internacionalmente como uma parte (pequena) da solução do problema do aquecimento global. Frequentemente, alguns observadores internacionais afirmam que a expansão dos canaviais ameaça a floresta amazônica. É uma denúncia maliciosa que precisa ser desmentida com veemência. Aos produtores de etanol não interessa desmatar e por fogo na coivara da floresta. As queimadas, que representam pelo menos 60% das emissões brasileiras de CO2, estão escandalosamente na contramão da História. Para as novas plantações de cana, basta uma pequena parcela das imensas terras improdutivas do Brasil Central e de outras regiões agrícolas tradicionais, inclusive no Sul.

Por tudo isso, vejo na agroenergia a possibilidade extraordinária de mudanças que resultarão no reequilíbrio de forças políticas globais. Como grande fonte de riquezas, a energia renovável tem potencial para distribuir renda e poder—prenúncio de uma nova e saudável ordem mundial.

Saturday, March 12, 2011

7 Billion, National Geographic Magazine

Pesca e Aquicultura são o novo alvo das Sociedades Protetoras dos Animais

Devemos estar atentos às consequências dessas pesquisas...é interessante que só agora que a aquicultura superou a pesca extrativa em volume de produção e sem esgotar nenhum estoque pesqueiro é que surgem estas preocupações.

No mais, uma boa quaresma e bons pratos com pescado a todos!

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Eng. Agr. Rafael Salerno
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12/03/2011 -

Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor

El País
Günther Stockinger
  • Fotografia submarina mostra várias espécies de peixes no mar do Timor Leste

    Fotografia submarina mostra várias espécies de peixes no mar do Timor Leste

Más notícias para os entusiastas da pesca: os peixes podem ser mais do que meras máquinas de reflexo, como se pensava. Novas pesquisas mostram que, aparentemente, eles têm consciência e podem sofrer com a dor, e os pesquisadores estão pedindo que sejam tratados da mesma forma que mamíferos e aves.

Será que milhões de pescadores amadores e esportivos estão errados? Eles acreditam que ter um anzol maligno preso na boca não machuca o peixe. Os entusiastas da pesca insistem que o sistema nervoso das criaturas aquáticas é primitivo demais para que sintam dor de verdade.

Depois de fisgarem o anzol, os peixes muitas vezes lutam de forma impressionante. Mas essa luta não confirma simplesmente como é pequena a agonia que vivenciam? “Se os anzóis de pesca fossem dolorosos, então um peixe fisgado não lutaria e aceitaria o puxar da linha de voa vontade, como um touro pode ser conduzido facilmente pelo anel nas narinas”, argumenta o pescador vienense Johann Braberntz no jornal “Der Fliegenfischer”.

Até agora, aficionados da pesca raramente foram acusados de crueldade, já que os peixes são vistos como forma de vida inferior. De fato, quase ninguém acredita que eles têm sentimentos como mamíferos e aves, e a maior parte das pessoas só têm sentimentos por animais de sangue quente.

Mas agora essa imagem de criaturas robotizadas que teriam uma memória de apenas três segundos está começando a rachar. As mais recentes descobertas de biólogos, neuro-anatomistas e pesquisadores de comportamento mostram que esses vertebrados antigos na evolução são muito mais do que máquinas de reflexo.

Pesquisadores da Universidade de Queen’s, em Belfast, provaram que, quando os peixes são sujeitos a estímulos de dor, os sinais não somem pela espinha. Os cientistas descobriram áreas da pele sensíveis diretamente por trás das brânquias de peixes dourados e trutas. Com a implantação de eletrodos, eles puderam mostrar que as células nervosas ali localizadas enviam sinais diretamente para o cérebro do peixe.

Quando os pesquisadores espetavam os animais com agulhas, uma fúria de mensagens neuronais eram transmitidas ao telencéfalo –a mesma região do cérebro onde os sinais de dor também são processados por animais e mamíferos.

Não um simples reflexo

Resultados similares agora foram alcançados com o salmão atlântico, a carpa e o bacalhau. “Esses estudos demonstram que áreas superiores do cérebro estão implicadas na resposta do peixe a eventos potencialmente dolorosos e que sua resposta não é um simples reflexo”, explica Lynne Sneddon, especialista em peixes da Universidade Chester, no Reino Unido.

Uma equipe de pesquisa espanhola pôde até identificar uma área no cérebro do peixe dourado que parece servir a uma função similar à do sistema límbico, região no cérebro humano que se torna altamente ativa quando as pessoas passam medo ou dor. Como nos mamíferos, esses receptores cerebrais no peixe consistem de uma série de estruturas anatômicas: sinais chegam para a amígdala e são processados por um filtro emocional, enquanto o hipocampo é para memória, mas também tem um papel importante na orientação espacial. Os pesquisadores buscaram por muito tempo em vão essas duas regiões, aparentemente porque estavam procurando no lugar errado. Acontece que, quando o peixe amadurece de embrião para adulto, sua arquitetura cerebral vira de fora para dentro: enquanto a amígdala e o hipocampo humanos são localizados profundamente nos hemisférios do cérebro humano, as estruturas comparáveis de um peixe desenvolvido se localizam diretamente na superfície do telencéfalo.

Testes comportamentais confirmaram esses resultados: os peixes dourados cujas estruturas comparáveis ao hipocampo no telencéfalo foram cirurgicamente desabilitadas subitamente perdem seu sentido de orientação –assim como os mamíferos cujas regiões cerebrais correspondentes foram desconectadas.

Além disso, quando os pesquisadores colocam as seções comparáveis à amígdala do telencéfalo fora de ação, os peixes deixam de aprender com os choques elétricos.

Isso prova que esses animais aquáticos supostamente insensíveis têm a estrutura necessária em suas cabeças para sentir medo e dor. “Apesar da estrutura e função do equivalente nos peixes ser mais muito que nosso sistema límbico, o fato que os cientistas descobriram a presença de estruturas similares é impressionante”, explica Victoria Braithwaite, zoóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Alguns anos atrás, Braithwaite causou comoção com outra descoberta que fez sobre a fisiologia dos peixes. Ela encontrou mais de 20 receptores de dor em torno da boca e da cabeça da truta –ironicamente localizados precisamente onde os anzóis penetram na carne do peixe.

Esses receptores frontais do sistema nervoso reagem não apenas aos espinhos, mas também ao calor e agentes químicos. Combinados com as fibras nervosas especializadas que transmitem impulsos de dor, os receptores funcionam como os de outros vertebrados.

Consciência da dor

Mas os peixes são capazes de converter sua percepção desses sinais complexos em uma consciência da dor? Uma série de testes comportamentais sugere que sim.

Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos.

A truta que foi sujeitada a agentes químicos nocivos não deu atenção a uma torre de Lego colorida introduzida em seu tanque, apesar de normalmente evitar novos objetos, sugerindo que sua atenção estava dominada pela dor. Contudo, os peixes que receberam anestésicos simultaneamente demonstraram o grau usual de cautela em relação aos objetos estranhos –porque a morfina aparentemente eliminara a dor.

Uma equipe de 20 especialistas trabalhando para a Comissão da UE em Bruxelas recentemente avaliou os experimentos feitos sobre o tema. Como todas as descobertas atuais sobre a capacidade dos peixes sentirem dor se baseiam em um número limitado de espécies, inclusive trutas, carpas, peixe zebra e peixe dourado, o grupo concluiu que não é possível, por enquanto, fazer maiores generalizações. Ainda assim, os especialistas reconheceram as seguintes conclusões sobre a vida emocional dos peixes: “Com estudos de sistemas setoriais, estrutura cerebral e funcionalidade, dor, medo e estresse, há evidências para componentes neurais da sensibilidade em algumas espécies de peixe.”

Os especialistas não apenas acreditam que os peixes são capazes de ter medo e dor, mas também sensações de prazer. Por exemplo, a oxitocina –chamada frequentemente de “hormônio do amor”- também foi documentada nos peixes.

Os defensores da pesca esportiva negam essas declarações como antropomorfismos inadmissíveis. Eles dizem que os atributos humanos foram inocentemente atribuídos aos animais.

Apesar dos defensores da pesca não poderem mais negar que os peixes têm um sistema para detectar sensações de dor, eles ainda sustentam que apenas um córtex cerebral altamente desenvolvido como encontrado em mamíferos pode produzir uma consciência dos estímulos de dor registrados. “Não há uma criatura humana escondida em um cérebro de peixe”, argumenta o pesquisador norte-americano James Rose, especialista muitas vezes citado pela indústria da pesca.

“A dor e o sofrimento do peixe não foram provados”, concorda Robert Arlinghaus, especialista em peixe do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca em Berlim. “Simplesmente não sabemos se os peixes têm tais sentimentos”.

Fluido cerebral

Para muitos especialistas, porém, a falta de córtex cerebral não parece mais ser uma razão suficiente para eliminar a possibilidade de consciência da dor. Casos médicos notáveis lançaram dúvida sobre essa velha escola de pensamento: neurologistas ocasionalmente relatam casos de pessoas que só têm metade do cérebro. Enquanto outros têm sinapses, esses indivíduos têm apenas fluido cerebral –e ainda assim muitas vezes são altamente inteligentes e bem adaptados socialmente.

Outros pesquisadores estão indo além. Eles sustentam que descobriram que mesmo invertebrados têm certa consciência de dor. Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Universidade do Queens, em Belfast, aplicou acido acético à antena sensível dos camarões. Os crustáceos subsequentemente esfregaram as áreas afligidas por até cinco minutos. De acordo com Elwood, essa reação é reminiscente de como mamíferos reagem à dor.

O polvo, o mais inteligente de todos cefalópodes, talvez tenha uma vida emocional ainda mais diversa. Esses animais, que são famosos por suas contorções impressionantes, nunca param de surpreender os pesquisadores: conseguem abrir um frasco de remédios à prova de crianças se souberem que há delícias escondidas ali dentro e fazem fugas noturnas de tanques famosos por sua segurança são comuns. “Há muitas razões por que as pessoas não querem pensar sobre a dor entre invertebrados”, diz Elwood.

Os pescadores por hobby ou esportivos estão com medo que novas leis possam ser introduzidas que limitem seu prazer em pescar.

As leis atuais na Alemanha já estipulam que os pescadores só podem sair com sua vara e pescar se estiverem em busca de comida ou reduzindo os estoques para manter as populações de peixe saudáveis. Torneios onde o pescado é devolvido à água após ter sido pesado foram proibidos –além de uso de peixes como isca viva.

Os biólogos, contudo, não suspeitam primariamente dos pescadores solitários em rios e lagos de cometerem atos de crueldade sem sentido. Sua atenção é dirigida principalmente para as fazendas de peixes e para a pesca de alto mar industrial.

De acordo com Braithwaite, zoóloga da Pensilvânia, daqui a 20 anos, quase metade de todos os peixes que comemos serão criados em enormes fazendas em torno do mundo. “Se nos preocupamos em proteger porcos e frangos na indústria de alimentos, não devemos excluir os peixes”, argumenta.

Ela também diz que mais atenção deve ser dada para as enormes frotas de barcos de pesca que navegam pelos oceanos do mundo, de forma a garantir que as criaturas “sejam mortas de forma rápida e limpa”. “A maior parte das pessoas certamente não se sente confortável com as enormes quantidades de peixe que sufocam lentamente nos conveses dos navios”, acrescentou.

As instalações de pesquisa também estão passando por fiscalização crescente, pois os peixes estão cada vez mais substituindo os camundongos e ratos em laboratórios. Sneddon, especialista em Chester, acha que seria apropriado no futuro aplicar “diretrizes humanas” para essas criaturas mudas nos experimentos. Assim como com mamíferos, diz ela, “os pesquisadores devem administrar analgesia se não interferir com os resultados dos estudos”.

Tradução: Deborah Weinberg

Friday, March 11, 2011

Eucalipto ajuda a preservar onças e lobos, diz estudo

23/08/08 - 14h28 - Atualizado em 23/08/08 - 14h28

Eucalipto ajuda a preservar onças e lobos, diz estudo

Árvores podem servir de passagem entre áreas de preservação, dizem biólogos.
Pesquisa fotografou animais em cidades do interior de SP entre 2005 e 2007.

Do G1, em São Paulo

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Foto: Divulgação
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Onça é fotografada durante pesquisa em municípios do interior de São Paulo (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa de biólogos do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) mostra que as plantações de eucalipto no interior de São Paulo podem servir de passagem entre áreas de preservação e ajudar na sobrevivência de algumas espécies de carnívoros. Entre elas, o lobo-guará, a onça-parda, a irara e a jaguatirica.

Apesar de defenderem que os eucaliptais não oferecem recursos necessários à fauna nativa, os biólogos descobriram que eles são o que chamam de matrizes permeáveis – um meio para os bichos chegarem a locais onde podem encontrar esses recursos. Funcionam como um tipo de corredor entre diferentes regiões de mata. As conclusões estão em uma tese de doutorado apresentada pela bióloga Maria Carolina Lyra-Jorge, de 37 anos.

“Os animais conseguem passar por ali, coisa que em outras matrizes não conseguem. Aquela situação é positiva porque existem fragmentos de vegetação nativa, que são a fonte que garante aquela biodiversidade, e os eucaliptais conectam esses fragmentos”, defende a bióloga, autora do estudo em companhia do biólogo Giordano Ciocheti e da professora Vânia Regina Pivello.

Foto: Divulgação
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Lobo-guará também está entre os bichos observados pelos biólogos na pesquisa (Foto: Divulgação)

Os biólogos do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação (Lepac) registraram durante 18 meses, entre 2005 e 2007, imagens desses animais. Eles estudaram uma área de 50 km² nos municípios de Santa Rita do Passa Quatro, a 248 km de São Paulo, e Luís Antônio, a 273 km da capital paulista. O local foi escolhido por causa das características das áreas de preservação.

Nesses municípios estão localizados o Parque Estadual de Vassununga e a Estação Ecológica de Jataí. Maria Carolina explicou que as reservas eram áreas de usinas que foram desativadas, por isso tinham essa característica fragmentada – áreas de preservação mescladas com espaços preenchidos com eucaliptais ou plantações de cana-de-açúcar. “É um parque de fragmento, que a gente chama de glebas. Ele tinha o formato que a gente queria”, disse.

Para registrar os animais no local, eles usaram câmeras fotográficas que disparam ao detectar movimentos de corpos quentes. De acordo com a pesquisadora, havia 21 pontos de coletas, onde as máquinas ficaram penduradas em troncos de árvores. A tecnologia, segundo a bióloga, é usada há muitos anos pelos ecologistas.

Foto: Divulgação
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Imagem de jaguatirica também foi registrada por equipamento especial (Foto: Divulgação)
Contra incêndios

O estudo mostra que os eucaliptais são melhores para esses animais como áreas de passagem do que as plantações de cana-de-açúcar, por exemplo. “O eucalipto é protegido pelas empresas contra os incêndios. Ainda que seja uma monocultura, existe uma situação de proteção ali. Mas, se só tivesse eucalipto, não ia adiantar nada, porque nossos animais não vivem apenas no eucaliptal”, afirmou a bióloga.

Para a pesquisadora, isso pode mostrar uma melhor condição de sobrevivência desses animais no atual cenário econômico. “A gente mora aqui em São Paulo, quer comer, quer ter carne, e, dentro dessa situação, que é a real, é uma abordagem interessante”, disse. “[É importante] os agricultores terem um olhar de conservação e os conservacionistas terem um olhar diferente para a agricultura. Essa é a situação ideal dentro da realidade.”

Campinas é autorizada a abater capivaras

11/03/2011 14h55 - Atualizado em 11/03/2011 14h55

Justiça nega liminar e Campinas é autorizada a abater capivaras

Animais são hospedeiros do carrapato-estrela, que transmite febre maculosa. Três óbitos já haviam sido registrados no local devido a doença.
Associação protetora de animais tenta impedir o abate.

Da Agência Estado

Manifestantes protestam durante o carnaval contra o abate de capivaras, em Campinas, no interior de SP (Foto: Reprodução/ EPTV.Com)Manifestantes protestaram durante o carnaval
contra o abate de capivaras, em Campinas
(Foto: Reprodução/ EPTV.Com)

A Justiça decidiu que a Prefeitura de Campinas, a 93 km de São Paulo, poderá abater as 20 capivaras que estão confinadas no Lago do Café. A 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas negou liminar à Associação Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp), que pedia a suspensão do abate das capivaras. Parte dos animais está contaminada com febre maculosa.

De acordo com a decisão da Justiça, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia autorizado o abate desde março de 2009 com o objetivo de preservar a saúde pública. No entanto, a prefeitura optou por isolar os animais e criar um centro de pesquisa para o controle da doença. A medida não surtiu efeito, e um funcionário que tratava dos animais morreu em outubro do ano passado.

De 2001 a 2010, outros dois funcionários do parque morreram de febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela, presente nas capivaras. Um quarto funcionário também contraiu a doença, porém sobreviveu. O Lago do Café está restrito à visitação pública desde 2008.

Na decisão, a juíza Eliane da Camara Leite Ferreira destaca que as autoridades sanitárias já optaram pelo abate como única forma de acabar com o risco da febre maculosa no local. Ela destaca que não há ilegalidade no abate das capivaras que justifique a concessão da liminar. A Proesp ainda pode recorrer da decisão.

Falta de licenciamento impede produtores de colher soja

QUERÊNCIA

Falta de licenciamento impede produtores de colher soja



A colheita de 12 mil hectares de soja cultivados na região de Querência ( a 912 quilômetros de Cuiabá) está interrompido por força de embargos ambientais expedidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), por falta de licenciamento ambiental. No total são 87 interdições, sendo 34 em propriedades privadas e 53 no assentamento Pingo D’Água.

De acordo com o assessor jurídico e ambiental que atua na região, Marcelo da Cunha, a principal queixa dos produtores quanto aos embargos é que das 34 propriedades, 33 aderiram ao programa de regularização ambiental do Estado, o MT Legal. Do montante, 10 propriedades possuem o CAR (Cadastro Ambiental Rural), enquanto que o restante dos processos protocolados está emperrado na Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente), aguardando a liberação. “O município tem 80,51% das áreas inseridas na base cadastral do Estado. Isto mostra o comprometimento da região com o cumprimento da legislação”, informou o advogado.

Segundo Cunha, os produtores têm sido surpreendidos com as ações de fiscais do Ibama, que tem buscado junto às empresas de armazenagem informações sobre as áreas embargadas. Além da interdição das áreas, os servidores do órgão estão orientando as armazenadoras a não comprar soja das propriedades vistoriadas. “Temos o caso de um produtor que, mesmo com o CAR, tem 95 hectares embargados de uma área de 900 ha, e não consegue vender um grão de soja sequer por conta das autuações”.

O presidente do Sistema Famato, Rui Prado, que esteve no município na última semana, tem mantido um diálogo junto aos órgãos competentes em busca de uma solução para o problema. Segundo ele, um acordo entre a Sema e o Ibama garante, por meio do MT Legal, que todos os produtores que buscarem a regularização até o prazo de 16 de novembro de 2012 não sofrerão penalidades ambientais. “Uma vez que o produtor buscou o programa, ele já demonstrou o interesse em se regularizar. Agora, os processos de CAR que estão pendentes é que precisam ser liberados para dar continuidade a colheita. Caso contrário boa parte da safra do município estará comprometida”.

Quanto ao assentamento, que compreendem 96 mil/ha, o prefeito de Querência, Fernando Gorgen, informou que a alternativa para resolver o problema seria um possível acordo, por meio de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Federal, já que a conservação da área é de responsabilidade do Incra.

O presidente do Sindicato Rural, Darci Heemann, disse que a entidade tem dado suporte aos assentados para ingressarem com o pedido do CAR. “No meu caso, em particular, aguardei mais de um ano para obter o CAR. Isso porque fiz um esforço tremendo entre viagens e custos para acompanhar o processo. Já os pequenos produtores não dispõem de tempo, pois têm que monitorar as lavouras, e muito menos de recursos”.

Segundo informações da Sedraf (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar) assim como o projeto Pingo D’Água, existem hoje em Mato Grosso 150 mil famílias que vivem em assentamentos. Destes apenas um está em conformidade com as exigências da lei ambiental, o que impede o acesso aos financiamentos da maioria deles. No ano passado cerca de R$ 360 milhões do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) que seriam destinados aos pequenos produtores, ficaram retidos.

Prado ressaltou ainda que somente a aprovação do Código Florestal, poderá resolver de vez os entraves ambientais do estado. No caso de Querência, a atual legislação determina que as propriedades mantenham 80% de Reserva Legal, o que desagrada a maioria absoluta dos produtores que chegou ao município na década de 80, quando eram permitidos manejos de 50% das áreas. “Com a atualização da legislação federal os estados poderão indicar, por meio dos ‘zoneamentos’, as áreas já consolidadas. Nestes casos, o Código prevê o direito adquirido”.

Thursday, March 10, 2011

Lebre européia ameaça acabar com o Tapiti, uma espécie brasileira de coelho

Tapiti

Valdemar Sibinelli Revista Terra da Gente - Campinas, SP March 2010

Quando se fala em coelho, do que o leitor se lembra? Daquele que distribui ovos de chocolate para as crianças na Páscoa? Daquele que o mágico tira da cartola? Da lista de famosos do cinema e dos gibis, como o Sansão (da Mônica), o Pernalonga, o Osvaldo (de Walt Disney), o Roger Rabbit? Certamente a gente esquece - ou nem sabe que existe - do tapiti, o único brasileiro entre dezenas de espécies de coelhos e lebres (família Leporidae).

O tapiti é nosso até no nome científico, Sylvilagus brasiliensis, dado por Carolus Linnaeus, o pai da taxonomia moderna, com base num desenho de um exemplar do Nordeste que ilustra uma obra de 1648 sobre a natureza no Brasil. O nome do gênero vem do latim sylva, selva, floresta, e do grego lagos, lebre, coelho. Embora ocorra em outros países do continente, da Argentina ao México, o S. brasiliensis é a única espécie reconhecida como nativa do território brasileiro.

"Historicamente já foram reconhecidas outras espécies, mas todas são atualmente consideradas indistinguíveis de S. brasiliensis", informa o zoólogo João Alves de Oliveira, do Departamento de Vertebrados do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O tapiti - também chamado tapeti, coelho-brasileiro, coelho-do-mato e candimba - é pouco conhecido porque é pouco estudado, e é pouco estudado por motivos que dividem os pesquisadores. O zoólogo Edson Gonçalves de Oliveira, da Zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acha que "neste mato tem coelho". Segundo ele, "em verdade esta espécie deveria ser estudada pelas universidades, mas de maneira geral estas só se interessam por animais já domesticados e que atendem ao agronegócio".

O biólogo José Roberto Miranda, da Embrapa Monitoramento por Satélite, não acredita que tem "dente de coelho" nessa história. O pesquisador vê razões para os poucos estudos nos próprio comportamento da espécie: o tapiti tem hábitos noturnos, se esconde em tocas profundas em bosques e matinhas, é pequeno, discreto e solitário. "Ele é ao mesmo tempo comum e raro. Comum porque está por todo o Brasil, mas raro de ser visto por ser uma espécie sem densidade populacional, o que também dificulta as pesquisas", explica.

A única certeza é que o nosso coelho nada tem a ver com os coelhos europeus e as lebres, a origem dos animais hoje domesticados e das diversas raças para a criação comercial (cunicultura). O tapiti tem como 'primos' outras 15 espécies do gênero Sylvilagus, de ocorrência apenas no Novo Mundo, nas três Américas. Eles têm em comum ou tamanho reduzido - a maior espécie é S. aquaticus, cujo peso máximo é 2,6 quilos - e a cauda pequena, em formato de pompom, a razão de serem todos conhecidos também como coelhos-de-cauda-de-algodão (cottontail rabbits, em inglês). Outra característica entre os 'parentes' é o comprimento das orelhas, bem curtas, sobretudo se comparadas às das lebres e de algumas raças comerciais.

Além de curtas, as orelhas do coelho-brasileiro são finas. E a pelagem é escura no dorso e clara na barriga, daí o nome indígena tapiti: ta = pelo; pi ou pia = barriga e ti = branco.

Não se tem comprovação se o tapiti dorme mesmo de olhos abertos, como reza a cultura popular. Mas se o faz, tem motivos: é presa apetitosa para carnívoros como onças, lobos e cachorros, além de gaviões e águias. Não bastassem tantos predadores, o nosso pequeno e bravo tapiti ainda enfrenta grandes e fortes concorrentes da mesma família dos leporídeos, trazidos para o continente americano e estabelecidos em diversas regiões como espécies exóticas invasoras.

A primeira leva, por enquanto, é uma ameaça distante: o coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus) foi introduzido no Chile, mas a barreira intransponível da Cordilheira dos Andes ainda salva o coelho-brasileiro. O mesmo não se pode dizer da lebre-europeia (Lepus europaeus), trazida da Europa para a Argentina em 1896, para fazendas de caça, e para o Chile em 1986, para ser criada em cativeiro e abastecer restaurantes. O bicho escapou para a natureza por falta de controle adequado, foi liberada por criadores arrependidos do negócio ou propositalmente solta para facilitar a caça esportiva. Não teve dificuldades em se instalar em ambientes naturais ou junto a lavouras e vem se espalhando desde então, como uma verdadeira praga agrícola.

No Brasil, a lebre-europeia - ou lebrona, lebre-comum e lebre-marrom, como também é chamada - entrou pelas fronteiras do Sul, já foi vista em todos os estados das regiões Sul e Sudeste e deve estar alcançando o Centro-Oeste por Goiás, embora não exista um mapa atualizado da 'invasão'. O tapiti não tem chance nesta disputa: é pequeno, tem no máximo 1,5 kg, permite aproximação e tem pouco fôlego para a corrida. A lebrona é grande, chega a 7 kg, tem as patas traseiras grandes e fortes, com impulsão para saltar a dois metros de altura e a cinco de distância, sempre em ziguezague e a uma velocidade de até 65 km por hora. "É uma máquina feita para correr e saltar", compara José Roberto Miranda. "Não há animal, nem cachorro de caça, que alcance uma lebre".

Além disso, a lebre-europeia tem a visão, a audição e o olfato bem desenvolvidos e é desconfiada, não permite aproximação. Há registros de brigas de machos na primavera, com acirradas brigas de socos, à semelhança do 'boxear' dos cangurus.

A espécie pode se refugiar em tocas de tatus ou de outros mamíferos, e também invade a 'casa' do tapiti, expulsando-o com família e tudo. O coelho-brasileiro, diferente das raças de coelhos comerciais, costuma se reproduzir apenas uma vez por ano. A fêmea cava a toca, forra com o próprio pelo e, em geral, tem só 2 filhotes, que nascem de olhos abertos e se tornam independentes em 3 semanas. Já a lebrona tem 2 ninhadas por ano nos países temperados e pode ter mais na zona tropical, dada a ausência de neve. A fêmea faz uma pequena depressão superficial no solo ou amassa capim para acomodar os filhotes, que costumam ser 4 ou 5. Eles também nascem de olhos abertos e com pelos longos, podendo suportar a exposição à chuva ou ao frio.

Em suas pesquisas de campo, Miranda ouviu vários relatos sobre esta competição entre as duas espécies pelo abrigo, inclusive com a morte do coelho-brasileiro. No município catarinense de Três Barras, os moradores consideram que a invasora extinguiu localmente o tapiti, mesmo não havendo problemas de espaço e de oferta de comida para todos. O mesmo aconteceu em algumas localidades argentinas.

As pessoas também têm razões para se preocupar com o avanço da lebrona. Ela prefere áreas abertas, desmatadas, invade as plantações e come de tudo, até o feno do gado e as mudas jovens de pinus, em áreas de reflorestamento. A espécie se deu bem no clima brasileiro, a par de contar com topografia favorável mais comida à vontade - e fácil - o ano inteiro, sem as agruras do inverno europeu. Miranda "levanta a lebre": acha que logo ela vai invadir também a Amazônia. "A expansão da fronteira agrícola e da pecuária garante casa e comida para a lebre-europeia. Ela só não vai entrar onde a floresta amazônica ainda está preservada", arrisca. E propõe uma alternativa de manejo: "Uma solução pode ser a permissão de caça ao animal exótico e invasor, como é feito em diversos países europeus onde ela não é nativa e também se tornou invasora".

Controlar a lebrona seria a salvação da lavoura e do coelho-brasileiro, ou seja, como "matar dois coelhos com uma cajadada só".

(BOX)

Coelhos e lebres

Engana-se quem, à maneira das crianças, pensa que o coelho é o 'marido' da lebre, induzido a erro pelo gênero gramatical dos dois substantivos e pelos artigos definidos que os acompanham. Tanto os coelhos como as lebres podem ser machos ou fêmeas. Todos são lagomorfos, ou seja, são pequenos mamíferos herbívoros com dois pares de dentes incisivos no maxilar superior (contra um par dos roedores). Todos também são da família dos leoporídeos, mas de gêneros diferentes.

Existem coelhos selvagens na América do Norte, Ásia e África, de vários gêneros: Romerolagus, Nesolagus, Pentalagus, Poelagus e Pronolagu. Entre os coelhos domésticos, o mais comum é o Oryctolagus cuniculus, que a partir da Europa se espalhou pelo mundo. No Século 19, o coelho-europeu foi introduzido na Austrália e, sem predadores naturais, se transformou em praga nas lavouras. Teve que ser combatido com a disseminação de uma doença endêmica. Em vários países, como no Brasil, a espécie foi domesticada e melhorada para atender às necessidades comerciais. A partir do O. cuniculus, cerca de 15 raças foram desenvolvidas e hoje são criadas em cativeiro.

As lebres se abrigam no gênero Lepus (lebre, em latim). A L. europaeus é a espécie mais conhecida. Outras espécies são a ibérica (L. granatensis), da península Ibérica; a canábrica (L. castroviejoi), endêmica da Espanha e a ártica (L. articus), das regiões glaciais.

Os coelhos nativos das Américas são do gênero Sylvilagus e se distribuem em 16 espécies. Várias delas são associadas a ambientes restritos, assim identificadas em seus nomes vulgares, como o cauda-de-algodão-do-deserto (S. audubonii), o cauda-de-algodão-da-montanha (S. nuttallii), o cauda-de-algodão-do-brejo (S. aquaticus) e o cauda-de-algodão-do-pântano (S. palustris). Outros ocupam territórios restritos e também revelam isso em seus nomes, caso do cauda-de-algodão-de-três-marias (S. graysoni), endêmico da ilha de Três Marias, no México.

Wednesday, March 09, 2011

Javalis apreendidos

Javalis apreendidos

Criadouros não autorizados eram de duas cidades goianas

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Em todo o Estado de Goiás só existem dois criadouros registrados para comercializar javalis (Sus scrofa scrofa), espécie originária da Europa e introduzida, segundo estudo do Instituto Horus no Brasil, há muitos anos e que se tornou asselvajada e fora de controle. Mas, na prática, não é isso que vem acontecendo. Agentes de fiscalização da Coordenação de Fauna do Ibama no Estado apreenderam 41 javalis desta espécie (Sus scrofa scrofa) e híbridos, em fazendas localizadas nos municípios de Bela Vista e Cocalzinho de Goiás. Além da apreensão dos animais, os proprietários foram multados em R$ 12.200,00 por não serem regularizados no órgão competente.
É que pela Portaria nº. 102/1998, de 15/07/1998, em seu art. 20, ficou proibida a implantação de criadouros comerciais de javali-europeu em todo o território brasileiro após período para regularização para quem tivesse essa espécie em cativeiro. Os autuados responderão administrativa e penalmente, primeiro, perante o Ibama em função da multa aplicada e, segundo, frente à Justiça, uma vez que incorreram em crimes.
Os javalis apreendidos serão destinados a zoológicos ou criadouros registrados que trabalhem com o uso e o manejo de fauna silvestre em cativeiro. Em caso de híbrido, serão abatidos, legalmente, em frigoríficos autorizados para a espécie e as carnes destinadas para creches e/ ou asilos.
Segundo pesquisadores, o javali (Sus scofra scofra) foi introduzido no Brasil para ser criado mas escapou ao cativeiro. Resultado: passou a fazer populações cada vez maiores na natureza, entrando na classe de espécies exóticas invasoras. Os impactos causados por eles no meio natural afetam diretamente tanto a fauna como a flora. O javali desloca populações nativas de porcos-do-mato e catetos e, por ser mais agressivo, compete por alimento e causa danos à regeneração de florestas.
Em resumo: a médio ou a longo prazo, os impactos serão sempre crescentes, pois a tendência é de aumento populacional em detrimento das espécies nativas. Por essas razões, o javali precisa ser controlado. Tanto que, no Rio Grande do Sul, em face do elevado número desses animais, foi autorizado, por um período, o controle populacional do javali Sus scofra scofra por meio de captura e abate, conforme a Instrução Normativa n.º. 71, de 04/08/2005, posteriormente, revogada pela Instrução Normativa n.º. 8, de 17/08/2010.
O animal tornou-se um problema para agricultores e tem trazido prejuízos econômicos às lavouras. O javali é espécie exótica invasora em diversos países e um dos maiores causadores de danos às florestas tropicais. Espécies exóticas comumente se ajudam entre si e ganham espaço sobre espécies nativas.

Ataques de javalis prejudicam produção rural em diversas partes do país

Ataques de javalis prejudicam produção rural em diversas partes do país

O animal se espalhou por vários estados. O javali tem o comportamento agressivo e não existia no Brasil até a década de 90. 13/10/2010 - Fonte: Globo Rural




Produtores rurais de várias partes do Brasil vêm tendo prejuízo com os ataques de javalis. O animal veio de fora e se espalhou por vários estados. Saiba como está a situação no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul.

O javali tem um comportamento agressivo e não existia no Brasil até a década de 90. Caçadores da Argentina e do Uruguai começaram a importar o animal, que, rapidamente, se espalhou para a região Sul do Brasil e já causa problemas em outros estados.

Em Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul, o agricultor Luís Otávio Fernandes ainda contabiliza o prejuízo que sofreu na última safra de milho. “Eles entram, comem a espiga de milho, deitam o milho no chão. Nem sempre naquelas plantas que eles deitam, eles comem. Mas você acaba não conseguindo colher a planta”, reclamou.

No Rio Grande do Sul, o município de Herval é um dos mais prejudicados. Na lavoura de cem hectares de milho os rastros dos javalis podem ser vistos em boa parte da plantação.

“Ele nos traz na lavoura em torno de 10% a 15% de prejuízo”, calculou o capataz Liezer Brandão.

O criador de ovinos Sérgio Munhoz perdeu 30 ovelhas em apenas uma noite. “É impressionante o que se vê e o que se ouve falar em relação aos prejuízos nas mais de 900 propriedades do município que tem ovinocultura”, disse.

A caça ao javali como meio de controle de população do animal estava liberada pelo Ibama desde 2001 no Rio Grande do Sul, como mostrou a reportagem do Globo Repórter. Em grupo e com o auxílio de cães, os produtores vasculhavam as matas em busca dos animais. Mas em agosto deste ano, o Ibama revogou a medida e a caça ao javali está proibida no país.

A mudança trouxe preocupação entre os produtores. O javali tem uma boa reprodução. A fêmea pode ter até duas gestações no ano. Em média, nascem cinco filhotes a cada cria. Hoje3, a população estimada de javalis no Rio Grande do Sul é de 54 mil animais.

“Estamos com um trabalho intenso não só em Herval como em outros municípios nos quais os prejuízos são grandes. Já estamos trabalhando no sentido de provocar uma audiência pública, caracterizando muito bem esses prejuízos, para que, logicamente, possamos revogar essa portaria e voltar a caçar”, esclareceu José Milton Medeiros, presidente do Sindicato dos Agricultores de Herval.

Em Brasília, o coordenador de Gestão do Uso de Espécies de Fauna do Ibama, Vítor Hugo Cantarelli, afirmou que a caça foi proibida porque estava sendo insuficiente para controlar o problema.

“Como demandas existem de mais de dez estados onde esse animal já entrou, a proposta é que se tenha uma medida efetiva para todos os estados. Mas para isso temos que chamar todos os agentes que têm obrigação de participar dos trabalhos de controle desse animal e dos seus processos de depredação e de destruição de ambientes”, alertou Cantarelli.

Em Mato Grosso do Sul, foi realizada, em setembro, uma audiência pública na Assembleia Legislativa. Os produtores querem, agora, levar o debate para o Congresso nacional, em Brasília.

China proibe famílias de ter mais de um cachorro

Cães e gatos são sustentáveis mesmo no Brasil???

09/03/2011 - 11h15

China proibe famílias de ter mais de um cachorro

DA EFE

A cidade de Xangai, com 23 milhões de habitantes, cerca de 6 mil arranha-céus e ruas que suportam a grande quantidade de tráfego e população de uma metrópole chinesa do século XXI, terá que aplicar uma "política de cachorro único".

Se em 1979 o Governo chinês teve que iniciar a sua "política de filho único" para evitar um crescimento demográfico insustentável, agora acontece algo parecido, quando a cidade de Xangai acaba de aprovar uma lei, chamada pela imprensa local de "cachorro único", que proibirá que os habitantes da metrópole possam ter mais de um cachorro registrado por unidade familiar recenseada, salvo os que já existissem anteriormente.

Wednesday, March 02, 2011

ONG's tomam dinheiro da prefeitura de BH por problemas que eles mesmos criaram!!!

ONG's tomam dinheiro da prefeitura de BH por problemas que eles mesmos criaram!!!Se permitissem sacrificar os animais como sempre foi feito estes recursos poderiam estar indo para creches, educação e saúde no municipio! Ongueiros sem vergonha!!! E ainda vão ganhar mais R$ 200 mil em um convênio, será que não há nenhuma criança que precise mais desse recursos no municipio do que estes cães e gatos sarnentos?

PBH gasta R$ 5 mi ao ano para capturar animais abandonados e devolvê-los às ruas

Luciane Evans -

Publicação: 20/01/2011 06:34 Atualização: 20/01/2011 13:47

Na Sociedade Mineira Protetora dos Animais, voluntários como Gabriela Braga cuidam de cerca de 700 cachorros e não há mais vagas (Jair Amaral/EM/D.A Press)
Na Sociedade Mineira Protetora dos Animais, voluntários como Gabriela Braga cuidam de cerca de 700 cachorros e não há mais vagas
Sem um abrigo municipal que possa acolher quase 30 mil cães abandonados em Belo Horizonte, os ditos “melhores amigos” do homem transformaram-se em um desafio que queima recursos públicos, deixa milhares de animais entregues à própria sorte e não tem solução à vista. A prefeitura não dispõe de lugar para receber os cachorros, tampouco planeja criar um; a Sociedade Mineira Protetora dos Animais, organização não governamental que é referência para o acolhimento, já conta com quase 700 indivíduos à espera de adoção e não tem mais vaga. Proibida de sacrificar injustificadamente os bichos capturados, a administração municipal adotou uma política que, embora custe R$ 5 milhões ao ano, devolve o problema para as ruas. Os cães são recolhidos e examinados. Os contaminados por leishmaniose vão para o sacrifício; os sadios recebem vacina contra a raiva e um chip. Depois, são soltos.

“Antes eles matavam; agora, abandonam”, critica a promotora de Meio Ambiente de BH, Lilian Marotta, lembrando que, até 2006, a prefeitura recolhia e sacrificava os cães de rua. Depois de uma briga judicial, que envolveu entidades de defesa dos animais e o Ministério Público, o extermínio foi proibido, mas outro problema surgiu: “O poder público está concentrado na saúde humana, no controle de leishmaniose. Não há uma política pública que tente solucionar o abandono. Não há uma promoção da prefeitura para a adoção nem sequer um abrigo para acolher esses bichos” aponta.

Para piorar, quem quer entregar um cão ou gato para adoção esbarra em outro entrave: lotada, a Sociedade Mineira Protetora dos Animais tem cobrado R$ 200 dos donos que optam por entregar seus bichos. O impasse tem deixado muitos belo-horizontinos de mãos atadas. Douglas da Silva está nessa situação há um ano. Dono de um cocker há seis anos, Douglas se viu obrigado a doar o cão depois que descobriu que seu filho, de 2 anos, era alérgico. “A prefeitura não tem um espaço e não tenho condições de pagar R$ 200 para uma ONG. As outras organizações também dizem que não há vagas. Não tenho coragem nem vou abandoná-lo na rua, muito menos sacrificá-lo”, relata. Por motivo diferente, a família de Pablo Gabriel Viana enfrenta problema semelhante: há cinco meses tenta entregar a vira-lata Preta a algum órgão que possa cuidar dela, que está muito doente. “Nosso medo é de que a doença possa contaminar os outros cães da casa ou até mesmo a própria família”, diz Pablo.

Despesa

Desde que foi proibido de sacrificar cães abandonados, o Centro de Zoonoses de BH os recolhe de áreas com alto índice de casos de leishmaniose. Eles são levados para o centro, no Bairro São Bernardo, na Região Norte, e submetidos ao teste para a doença. “Caso o resultado seja positivo, fazemos a eutanásia”, conta o secretário municipal-adjunto de Saúde, Fabiano Pimenta. Caso dê negativo, é implantado em cada indivíduo um microchip contendo informações sobre sua saúde. Depois, ele é vacinado contra raiva e castrado. “Em seguida, fica para a adoção, no Centro de Zoonoses, durante 15 dias. Se não aparecer um dono, volta para a rua”, conta Pimenta. A manutenção do centro custa aos cofres públicos R$ 5 milhões por ano, sem contar os salários dos funcionários. “Só para a implantação do chip são R$ 250 mil anuais.”

O índice de retorno de cães e gatos para as vias da cidade é bem maior do que a possibilidade de eles encontrarem um lar. São atualmente, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), 288,7 mil cães e 38,7 mil gatos em BH. Destes, estima-se que 10% estejam nas ruas. No ano passado, 10.568 cães sadios foram recolhidos, castrados e entregues à adoção. Destes, 3.170 conseguiram um lar e 7.398 voltaram para as ruas. Os doentes, que foram sacrificados, representam 40% do total de 17.613 cachorros recebidos no Centro. Ou seja, mais de 7 mil foram mortos.

Os R$ 200 cobrados pela Sociedade Mineira Protetora dos Animais para donos que queiram entregar seus companheiros, segundo conta a presidente da ONG, Leilane Lopes, destinam-se a manter o abrigo funcionando. “Não recebemos nenhum recurso da prefeitura”, diz. Quando cães ou gatos de rua estão machucados ou doentes e não têm dono, a ONG os recolhe. Por semana, segundo ela, são recebidos cerca de 30 animais, dos quais oito são adotados. “Nossa despesa é alta. Apesar da ajuda de voluntários, temos funcionários para pagar. Contamos com o trabalho de veterinários. Recebemos doações de comida, mas já estamos no limite”, afirma. Para a promotora Lilian Marotta, esse tipo de problema não pode ser um ônus para as entidades: é responsabilidade do poder público.

A única solução prevista para o desafio – que envolve também a consciência de quem decide criar um animal, além de representar uma ameaça à saúde pública – é um convênio entre a prefeitura e uma ONG (cujo nome ainda não foi divulgado), no valor de R$ 200 mil, a ser formalizado neste semestre. “O objetivo do acordo é realizar ações de mobilização e feiras de adoção. Além disso, vamos criar centros de zoonoses na cidade. Hoje, temos nas regiões Oeste e Noroeste e uma unidade móvel. Queremos implantar nas regiões Leste e Nordeste”, diz o secretário-adjunto Fabiano Pimenta.

Integração de lavoura, pecuária e floresta ganha espaço em Minas Gerais

Integração de lavoura, pecuária e floresta ganha espaço em Minas Gerais
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Fonte: Canal Rural

Fonte: Portal do Agronegócio

Minas Gerais já conta com 442 Unidades Demonstrativas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, sistema que consiste em consorciar diferentes sistemas produtivos de grãos numa mesma área onde também se explora a pecuária e o cultivo de arbóreos. Os técnicos usaram o eucalipto como opção de floresta.

As unidades são usadas como vitrines tecnológicas para pesquisadores extensionistas e agricultores. O sistema é indicado principalmente para recuperar pastagens degradas.

O casal Elidio e Elisabeth plantou 920 mudas de eucalipto em janeiro do ano passado. A propriedade tem 17 hectares. Em um ano é possível perceber a diferença entre a pastagem que está em local aberto, e a consorciada com o eucalipto. O rebanho aproveita a qualidade do pasto e aos poucos vai ganhando sombra, que deve permanecer pelo menos nos próximos seis anos, tempo suficiente para a floresta de eucalipto ficar pronta para gerar renda. É nisso que Elisabeth aposta para diversificar ainda mais a propriedade dentro deste sistema.

— A gente pode pensar que futuramente vai poder ampliar o sítio com esta poupança do eucalipto, que é uma poupança que a gente não vai tirar fora da hora. A gente assim tem uma garantia de dinheiro que não ia ter — conta a produtora rural.

A propriedade do casal foi escolhida pela secretaria de Agricultura de Minas Gerais por meio da Emater para servir de demonstração para pesquisa, e de exemplo aos produtores vizinhos. O investimento com a compra e distribuição de mudas e adubo foi de R$ 1,9 milhão.

As unidades demonstrativas foram implantadas entre 2008 e 2010. No projeto original, a ideia era integrar apenas lavoura e pecuária. Só depois a floresta passou a fazer parte do sistema para entrar no processo de sustentabilidade e criar novas alternativas de renda para o produtor.

— Eu pretendo comprar mais vacas, comprar um ordenhazinha, aumentar meu canavial. Futuramente, com mais vacas, tem que ter mais cana — diz Elídio Felix Pereira.

O agrônomo da Emater-MG, Osvaldo Marques Filho, explica como esta integração com o eucalipto ajuda na pecuária de leite.

— Você já vê uma pastagem de melhor qualidade no período seco, que não sente tanto devido ao sombreamento. Tem um teor de umidade maior no solo também e isso é beneficio para pastagem, porque quem mexe com gado de leite precisa de sombra e água para produzir leite. Isso tem sido muito importante — afirma.

O pecuarista e supervisor de marketing da ABCZ, João Gilberto Bento, também está implantando o sistema na propriedade. Ele lembra que mesmo que temporária, a floresta ajudará a diminuir o chamado efeito estufa.

— Elas também contribuem muito no balanço do sequestro de carbono, principalmente a madeira que for para a construção civil — comenta.

CANAL RURAL

Sistema agrosilvipastoril cresce em Minas Gerais

Sistema agrosilvipastoril cresce em Minas Gerais

terça, 01 de fevereiro de 2011
Estado já conta com 442 unidades demonstrativas dessa integração Foto: Google Estado já conta com 442 unidades demonstrativas dessa integração

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O sistema agrosilvipastoril está ganhando cada vez mais espaço em Minas Gerais. O Estado já conta com 442 unidades demonstrativas do sistema, que consiste em consorciar diferentes sistemas produtivos de grãos numa mesma área onde também se explora a pecuária e o cultivo de arbóreos, principalmente eucalipto.

A proposta original era integrar apenas a produção de grãos e pecuária bovina (leite e corte), mas a Secretaria da Agricultura de Minas agregou a produção de florestas, segundo o superintendente de Desenvolvimento Rural Sustentável (SDRS), Guilherme de Oliveira Mendes. O objetivo “é intensificar a produção agrícola com sustentabilidade e criar novas alternativas de renda para o produtor”.

As unidades demonstrativas são utilizadas como vitrines tecnológicas para pesquisadores, extensionistas e agricultores conhecerem e acompanharem a evolução do sistema em uma propriedade. As unidades estão implantadas em propriedades rurais de todas as regiões de Minas. O investimento do Estado com a compra e distribuição de mudas e adubo foi de R$ 1,9 milhão.

Essa integração é indicada principalmente para regiões onde há pastagens degradadas. As pastagens representam 43,1% da área total do Estado, somando aproximadamente 25 milhões de hectares. “Estima-se que 50% dessas pastagens apresentem algum grau de degradação, algo entre 12 e 13 milhões de hectares”, afirma o coordenador estadual da Emater, José Alberto de Ávila Pires

Por isso, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais vai reforçar a orientação aos produtores rurais para que recorram ao crédito destinado à implantação e manutenção do sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) no Estado.

O Programa Estadual de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta também tem a participação da Epamig, que coordena e executa ações ao lado da Emater. Também são parceiros do programa a Embrapa, Universidade Federal de Viçosa (UFV), empresas privadas e produtores rurais.

Fonte: Painel Florestal (Com informações da assessoria)

MS poder se tornar uma potência nacional no sistema agrosilvipastoril

MS poder se tornar uma potência nacional no sistema agrosilvipastoril

sábado, 26 de fevereiro de 2011
Consultor ressalta a capacidade do Estado para consorciar culturas Foto: Assessoria Famasul Consultor ressalta a capacidade do Estado para consorciar culturas

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Mato Grosso do Sul vem se destacando no cenário nacional de florestas plantadas nos últimos anos. Conforme dados da Reflore-MS (Associação sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas), o Estado atingiu, em 2010, o número de 390 mil hectares de florestas cultivadas.

De acordo com o professor da Universidade de Toronto (Canadá) e consultor para a área da silvicultura, Laércio Couto, a organização do segmento e a legislação favorecem a instalação de grandes empresas no Estado. “Mato Grosso do Sul está à frente dos demais estados porque eliminou a burocracia para os empreendimentos florestais”, explica.

Só que não podemos esquecer, que a pecuária e o cultivo de grãos ainda são as grandes potências do Estado. O que poderia ser uma competição entre os segmentos, pode apresentar resultados ainda melhores se consorciados. Por isso, o consultor esteve reunido essa semana, em Campo Grande, com dirigentes estaduais e empresários interessados em investir no sistema agrosilvipastoril.

Para Laércio Couto, a produção agrosilvipastoril é uma opção que pode dar muito certo em Mato Grosso do Sul. “É um sistema que se encaixa na cultura pecuária da região. Além de não reduzir a quantidade de animal por hectare, o cultivo de florestas é renda adicional, uma garantia de receita com venda programada. O cultivo de florestas associado à criação de gado contribui para o ganho de peso do animal, uma vez que com o calor o boi gasta energia para resfriar o corpo”, afirma.

Conforme o presidente da recém criada Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA, Ademar Junior, o sistema de integração entre as culturas pode ser aplicado em quase todas áreas do Estado. “Consorciar pecuária, agricultura e silvicultura é uma prática aplicável em qualquer região de Mato Grosso do Sul, até mesmo na agricultura de subsistência ou em assentamentos. É não há razão para resistências, pois o sistema apenas incrementa a atividade pecuária que já desenvolvida no estado”, destacou.

Fonte: Painel Florestal

Plantio direto ajuda a enfrentar estiagens

Plantio direto ajuda a enfrentar estiagens
Palhada funciona como confortante térmico, permite que água fique armazenada no solo por mais tempo e garante longevidade da lavoura
Kamila Pitombeira
02/03/2011
Ouça a entrevista Comente esta notícia Envie a um amigo Aponte Erros Imprimir

Em épocas de estiagens, a lavoura sofre com a falta de água e nutrientes essenciais para a sobrevivência das plantas. Como alternativa, agricultores do Rio Grande do Sul apresentam o plantio direto, técnica que visa o plantio sem o revolvimento do solo. Mas, de acordo com Marcelo Pilon, analista e agrônomo da Embrapa Pecuária Sul, é preciso respeitar algumas regras.

– Deve-se usar máquinas adequadas, que fazem o corte da palhada e do solo, e realizar o manejo dessa palhada com dissecação de bastante tempo, para que ela possa morrer e o plantio seja feito com sucesso, sem plantas invasoras competindo – orienta.

Para o analista, o sistema é conservacionista, por isso, traz uma série de benefícios. No caso de estiagem, por exemplo, a palhada funciona como um confortante térmico para a planta, garantindo que ela se mantenha em uma temperatura abaixo do excedente que ocorre no verão. Além disso, a palhada ajuda no armazenamento de água no solo, reduzindo ainda mais os impactos da estiagem.

– O primeiro resultado que se vê é a questão da sustentabilidade. Onde não era mais possível produzir alimentos, tanto na forma direta quanto indireta, por problemas de erosões e de perda de nutrientes, o plantio direto trouxe essa grande vantagem para os produtores. Portanto, a grande diferença é a sustentabilidade, a longevidade desse sistema – diz Marcelo.

Em segundo lugar, segundo o agrônomo, tem-se a questão econômica. O produtor desembolsa menos dinheiro ao optar pelo sistema de plantio direto, já que todo o processo de aração, gradagem e operações do solo, necessárias à semeadura em uma nova cultura ou nova espécie forrageira, passam a ser dispensáveis. Ainda de acordo com o analista, essa técnica não se restringe a determinadas regiões.

– O plantio direto pode ser usado no Brasil inteiro, tanto na agricultura, quanto na pecuária, tanto na rotação com lavoura pecuária, quanto em renovação de pastos. Além disso, é ambientalmente correto.

Para mais informações sobre o plantio direto, basta entrar em contato com a Embrapa Pecuária Sul através do número (53) 3240-4660.

Clique aqui, ouça a íntegra da entrevista concedida com exclusividade ao Portal Dia de Campo e saiba mais detalhes da tecnologia.

Tuesday, March 01, 2011

Tragédia no PR pode ter sido causada por javalis na pista

Um dos relatores voluntários do Mapa de Incidência Javalis e seus hibridos no Brasil comentou que uma tragédia no final do ano passado onde um locutor de rádio e sua filha de 11 anos vieram a óbito em um acidente que intrigou a população local pois havia marcas de freagem na pista e o carro capotou para fora da pista. O acidente ocorreu em uma região que é conhecida pela alta incidência de javalis e nos países de altas populações de javalis os acidentes são muito frequentes na França são 20mil por ano e nos EUA 40 mil colisões por ano.

A caminhonete Hilux que é lider de vendas no Brasil é famosa por não ter passado no "teste do Alce" e portanto é comum capotar facilmente como vemos nas estradas as vezes, o Crash test alemão com javalis recomenda freiar com intensidade mas não desviar a direção, o detalhe é que certamente o carro do video tem ABS e o nosso carro do dia-a-dia ?

Os javalis e seus hibridos são animais noturnos que podem caminhar de 20 a 50km diariamente em busca de alimentos e além de não serem impedidos por cercas eles podem ser atraídos por restos de animais mortos nas estradas como mostram estes videos:

http://www.youtube.com/watch?v=VIrH69RlaMs

http://www.youtube.com/watch?v=iVrbW617PIY

http://www.youtube.com/watch?v=it1QE8ye2XU

Infelizmente ainda não há monitoramento, controle e sinalização adequada nas regiões onde há populações desses animais em nosso país, portanto é necessário divulgar a necessidade de ao menos reduzir a velocidade em áreas infestadas em especial no período noturno.

MG: Integração Lavoura, Pecuária e Floresta ganha espaço no Estado

MG: Integração Lavoura, Pecuária e Floresta ganha espaço no Estado

Portal CIFLORESTAS – acesso em 03/02/2011 09h19

MG: Integração Lavoura, Pecuária e Floresta ganha espaço no Estado

Governo do Estado implantou unidades demonstrativas para difundir o sistema no meio rural.

Minas Gerais já conta com 442 Unidades Demonstrativas (UDs) de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). O sistema consiste em consorciar diferentes sistemas produtivos de grãos numa mesma área onde também se explora a pecuária e o cultivo de arbóreos, principalmente eucalipto. As UDs foram implantadas entre 2008 e 2010 e fazem parte de um programa coordenado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

Em sua forma original, a proposta de integração contava apenas com a produção de grãos e pecuária bovina (leite e corte). “Ao incluir a proposta de ILPF em suas políticas de desenvolvimento da agropecuária, a Secretaria da Agricultura de Minas agregou a produção de florestas”, destaca o superintendente de Desenvolvimento Rural Sustentável (SDRS), Guilherme de Oliveira Mendes. O objetivo, ele diz, “é intensificar a produção agrícola com sustentabilidade e criar novas alternativas de renda para o produtor”.

As unidades demonstrativas são utilizadas como vitrines tecnológicas para pesquisadores, extensionistas e agricultores conhecerem e acompanharem a evolução do sistema de ILPF em uma propriedade. As UDs estão implantadas em propriedades rurais de todas as regiões de Minas. O investimento do Estado com a compra e distribuição de mudas e adubo foi de R$ 1,9 milhão.

Recuperação de pastagem
“O sistema de ILPF é indicado principalmente para regiões onde há pastagens degradadas”, acrescenta o coordenador estadual da Emater, José Alberto de Ávila Pires. As pastagens representam 43,1% da área total do Estado, somando aproximadamente 25 milhões de hectares. “Estima-se que 50% dessas pastagens apresentem algum grau de degradação, algo entre 12 e 13 milhões de hectares”, diz o coordenador.

Ávila Pires e Guilherme Mendes ressaltam a importância da integração como alternativa para a recuperação dessas áreas de pastagem degradadas como consequência do uso intensivo da terra. Eles dizem que o cultivo de diversas espécies vegetais e a criação de bovinos de forma integrada possibilitam maior produção por área com sustentabilidade, porque ocorrem a renovação do solo e o aproveitamento de adubação residual de lavouras.

Crédito para ILPF
A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais vai reforçar a orientação aos produtores rurais para que recorram ao crédito destinado à implantação e manutenção do sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) no Estado.

De acordo com o Guilherme Mendes, uma das tarefas dos técnicos da Emater-MG é prestar assistência técnica aos agricultores interessados em buscar financiamento para seus projetos. Além disso, os produtores podem obter informações sobre as instituições de crédito que dispõem de linhas específicas para o sistema ILPF. “Os extensionistas também acompanham todos os passos para a aprovação dos financiamentos”, acrescenta o superintendente.

No caso da agricultura familiar, às vezes os gastos com a implantação da ILPF não atingem R$ 4 mil por hectare. “Esta cifra é alta para o produtor, mas ele pode recorrer ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, explica Guilherme de Oliveira Mendes.

Já os produtores não contemplados pelo Pronaf e que pretendam desenvolver o sistema de ILPF poderão recorrer ao Programa de Estímulo à Produção Agropecuária Sustentável (Produsa), uma linha de crédito rural criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o superintendente, há também o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Ministério da Agricultura, que oferece recursos a agricultores e cooperativas com limite de financiamento de R$ 1 milhão e prazo de pagamento de 12 anos.

O Programa Estadual de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta também tem a participação da Epamig, que coordena e executa ações ao lado da Emater. Também são parceiros do programa a Embrapa, Universidade Federal de Viçosa (UFV), empresas privadas e produtores rurais.

Fonte: Seapa / MG